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Com ‘febre’ da entrega ultrarrápida, já tem galpão mais caro que escritório em São Paulo

A demanda por entregas ultrarrápidas na maior cidade do país — com uma série de e-commerces prometendo a chegada dos produtos até no mesmo dia da compra, por exemplo — vem embaralhando a lógica de preço no mercado imobiliário: já tem galpão logístico com metro quadrado mais caro que o de alguns escritórios em São Paulo.

Os dados são de levantamento da consultoria Binswanger, que avaliou empreendimentos localizados em um raio de 30 quilômetros a partir do Centro da capital paulista — zona preciosa para a chamada “última milha”, etapa logística que compreende o trajeto entre o centro de distribuição e a casa do consumidor.

Ao todo, oito condomínios industriais e logísticos já registram valores acima dos de alguns prédios comerciais. Entre os exemplos elencados pela Binswanger está o Bresco Henry Ford, galpão de altíssimo padrão em Osasco, ao lado da Marginal Tietê, que tem como locatários companhias como Olist, de e-commerce.

O preço do aluguel no empreendimento está em R$ 43,29 o metro quadrado, superando o de nove lajes corporativas de São Paulo. No CLJ Jaguaré, perto da Marginal Pinheiros, o preço médio é de R$ 40 por metro quadrado, também acima do de alguns escritórios.

BTG vai investir quase R$ 2 bi na região

Esses valores superam os de escritórios com padrões A+ e A na chamada zona descentralizada do mercado corporativo, em regiões como Santo Amaro, Marginal Sul e Chácara Santo Antônio. Mas, antes da “febre” das entregas ultrarrápidas, esses empreendimentos costumavam ser mais caros que galpões.

A inflação dos condomínios logísticos vem chamando a atenção — e o bolso — de investidores. No mês passado, um fundo imobiliário do BTG voltado para o filão (BTLG11) informou que negociava a compra de 11 galpões em São Paulo — grande parte em um raio de 60 km da metrópole — por R$ 1,75 bilhão.

Na média de São Paulo, porém, a ordem das coisas está longe de se inverter: as lajes corporativas trabalham com preço médio de R$ 96,72 — no Itaim, o valor chega a estratosféricos R$ 248,12 —, enquanto o metro dos galpões fica, na média, em R$ 31,20.